FÁBIO LÁZARO
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Corinthians vai repassar integralmente à Caixa Econômica Federal os R$ 2,9 milhões recebidos pelo aluguel da Neo Química Arena para a realização do evento gospel “Vira Brasil 2026”, realizado pela Igreja Batista da Lagoinha na virada do ano.
O repasse ocorre por causa da dívida que o clube mantém com o banco estatal referente ao financiamento da construção do estádio.
Contratos do financiamento da arena, aos quais a reportagem teve acesso, estabelecem mecanismos legais que vinculam receitas geradas pelo estádio -como o aluguel para eventos- ao pagamento das obrigações financeiras em aberto.
Assim, o Corinthians não pode reter nem usar livremente esses recursos enquanto a dívida não for quitada ou formalmente renegociada com a Caixa.
O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS
O acordos de cessão fiduciária determinam que as receitas específicas da Neo Química Arena -inclusive valores referentes a aluguéis para eventos- sejam destinadas a uma conta vinculada ao banco enquanto houver dívida ativa, segundo os contratos analisados pela reportagem.
O clube é obrigado a repassar automaticamente à Caixa os valores arrecadados com eventos como o “Vira Brasil”.
Os documentos deixam claro que essa cessão é irrevogável até a quitação da dívida ou a assinatura de uma renegociação formal com a Caixa.
Juridicamente, isso transforma receitas como o aluguel do estádio em garantias contratuais para amortização do débito.
O saldo devedor do Corinthians relacionado ao estádio gira em torno de R$ 700 milhões.
A dívida elevada fez com que uma parte expressiva das receitas da arena ficasse vinculada à Caixa por meio de cessão fiduciária e outros mecanismos de garantia.
Nos últimos anos, Corinthians e Caixa chegaram a discutir alternativas para renegociação ou quitação do contrato, incluindo propostas como a venda de parte do estádio, o uso de precatórios ou novos modelos de pagamento. Até agora, porém, nenhuma dessas negociações resultou em um acordo definitivo.
Fonte: Notícias ao Minuto


